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Os Nossos Homens: Frederico Fezas Vital

Frederico Fezas Vital. Quarenta e um anos de vida – que a olho nu mais parecem trinta e um -, paixão máxima pelas pessoas e uma espécie de compulsão pela leitura e pela escrita. Com uma especialização em Project & Leadership Management, diz-se um Empreendedor com propósito. E qual? – perguntam vocês -  Capacitar o ser humano para acreditar e viver todo o seu potencial enquanto pessoa.

No dia-a-dia, dedica-se a realizar sonhos; dos outros – para já 535 – e, consequentemente, os seus. Até agora, 535 crianças e jovens com doenças crónicas graves ou em situações vulneráveis viram os seus sonhos realizados pelas mãos de Frederico e da equipa da Terra dos Sonhos. Para breve poderá estar a chegada da Unidade de “Cuidados Intensivos de Felicidade” ao Hospital de Vila Franca e, a longo prazo, da “Casa dos Sonhos“. Porque é possível que os sonhos se realizem, diz Frederico.

Fiquem a saber mais sobre o homem e os projectos; porque, afinal, os sonhos tornam-se mesmo realidade.

 

Define-se como um “Chief Executive Dreamer“, dedica a sua vida a realizar sonhos. O que é que leva, no fim do dia, para casa?

Chief Executive Dreamer” (CED) foi uma pequena brincadeira que arranjei para criar ligações entre duas linguagens “aparentemente” difíceis ou não evidentes de conciliar – a linguagem racional e analítica da gestão e a linguagem imagética da fantasia. Do sonho de mudar o mundo. Na realidade aquilo que o tão em voga “empreendedorismo social” tenta fazer é uma aproximação dos vários modelos e ferramentas da gestão, do Estado e dos cidadãos, num movimento de simbiose que permita criar soluções mais eficazes, mais eficientes e escaláveis para os principais problemas que afectam a humanidade. É um movimento de partilha baseado num trabalho sério de aprofundamento que tem como resultado, efectivamente, a mudança do Mundo em que vivemos.

Todos os dias, quando chego a casa, gosto de sentir que consegui dar mais um passo não só na realização de um sonho de muitos, mas sobretudo na inspiração e motivação para que todos entendam o seu próprio potencial de mudarem o mundo. A começar pelo seu.

Trabalha há dois anos e meio no projecto “Cuidados Intensivos de Felicidade” no Hospital de Vila Franca. Explique-nos em que consiste o serviço e como vai funcionar, depois de implementado .

Estamos em conversas finais com a administração para ver a melhor forma como este projecto-piloto – UCIF – Unidade de Cuidados Intensivos de Felicidade – pode ser testado e consolidado para, no futuro, poder servir todos os envolvidos (crianças e jovens com doença crónica, suas famílias e profissionais de saúde) da melhor forma.

O UCIF procura dar a crianças e jovens (bem como às suas famílias) ferramentas psico-sócio-emocionais que as ajudem a criar espaços de felicidade nas suas vidas, independentemente das suas circunstâncias (a premissa base disto é que a felicidade passa muito não por ter ou ser mais, mas por aprender a viver melhor com o que se tem) e que as capacitem para, num futuro, poderem elas mesmas serem “agentes de felicidade”, que passarão a sua experiência e conquistas a outros que necessitem.

No fundo, procuramos complementar a abordagem clínica já feita, com uma abordagem menos focada nas patologias e mais focada na construção do futuro, utilizando ferramentas da psicologia, psicologia positiva e outras áreas de desenvolvimento. Acreditamos que a qualidade de vida depende em grande parte da forma como conseguimos viver a nossa vida e as nossas circunstâncias, e não somente dos eventos externos a nós – coisas que “nos acontecem”.

Num primeiro momento vamos testar o modelo em ambiente hospitalar, com o universo em internamento mas também em ambulatório, e procuraremos fazer a ponte para a comunidade, para criar uma rede de apoio e compreensão destas realidades no meio envolvente destas células familiares. Mais tarde, ambicionamos codificar esta metodologia e disseminá-la pelo sistema de saúde, até ao dia em que se torne “normal” ir a uma Unidade de Cuidados Intensivos de Felicidade para aprender a viver a vida com mais qualidade. A ser mais feliz.

Estas Unidades poderão depois ser adaptadas a outros públicos-alvo. Por isso, como bons sonhadores, o sonho terminará apenas quando todos os cidadãos forem agentes de felicidade. Da sua e da dos outros, claro.

Qual a importância de iniciativas do género para os doentes que veem os seus sonhos realizados?

Para as crianças, jovens e as suas famílias, esta iniciativa – e outras que tais – dá-lhes acesso a novas possibilidades e esperança, oferecidas por soluções que não existem no actual mercado, ao mesmo tempo que, a um nível humano e emocional, constitui uma força de suporte que faz toda a diferença. O sentirmos a importância que temos para os outros e sermos o foco da atenção e do cuidado de alguém é, como todos sabemos, o motor das grandes mudanças pessoais e de vida. É nisso que acreditamos com todas as nossas células.

Quantos sonhos já realizaram?

Até agora 535 sonhos. Uma média que queremos ampliar este ano para 800. Estamos no bom caminho. E já não apenas a crianças e jovens com doença crónica grave, mas também a crianças e jovens em situações vulneráveis.

Para quando a “Casa dos Sonhos” e no que consiste exactamente?

A Casa dos Sonhos é uma casa em Lisboa, que vai arrancar, segundo as nossas expectativas, em 2015 e que vai ser o centro de todas as operações da Terra dos Sonhos. É a sede de todas as actividades e onde a equipa desenvolverá o seu trabalho, mas também vai ter uma UCIF (com um público mais alargado, mas começando pelas crianças e jovens a quem já realizámos sonhos); um local onde vamos dar oportunidade a empreendedores sociais de trabalharem e testarem os seus modelos, capacitando-os com ferramentas que lhes permitam realizar os seus “sonhos” de mudar o mundo de forma sustentável; uma área aberta ao público onde vamos querer desconstruir as crenças e convicções limitadoras das pessoas, submetendo-as a um conjunto de experiências desafiadoras que lhes explicará a necessidade que temos de quebrar barreiras e irmos mais longe nas crenças relativas às possibilidades nas nossas vidas; e um auditório projectado para muitas das nossas acções, mas também aberto a parceiros para poderem partilhar os seus sonhos (Workshops, formatos e outras actividades que se relacionem com superação, sonhar sem limites, criar e ir mais longe).

A Casa dos Sonhos é a materialização do Mundo das possibilidades, dos sonhos possíveis. Aqui, não há impossíveis. É a tradução localizada do espírito que a Terra dos Sonhos tenta criar e incutir em todos com quem se cruza desde 2007.

Tem alguma palavra para deixar a quem nos lê?

Sim. A Terra dos Sonhos, meus amigos, chama-se assim porque acreditamos que os sonhos se realizam na Terra. Porquê? Porque se podem realizar. Porque é possível. E nós sabemos como… Partilhem os vossos sonhos, as vossas histórias, as vossas desilusões e construções. Nesta Terra, todos temos lugar. E esta Terra acredito muito que seja o nosso Portugal.

Fotografias de Pedro Dias

Entrevista de Mariana Saraiva e Catarina Castro

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